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De setembro de 2021 a setembro de 2026, deixar o dinheiro rendendo no CDI trouxe mais retorno do que acompanhar o Ibovespa: o CDI acumulou 80,53% no período e o índice, 61,20%. Só que essa comparação entre os dois “pacotes” esconde o que aconteceu com cada ação individualmente. Um estudo da Economatica reconstruiu a carteira teórica do Ibovespa em setembro de 2021, 87 empresas ao todo, incluindo as 31 que deixaram o índice pelo caminho, e comparou o retorno de cada uma delas ao CDI do mesmo período. O resultado: 24 das 87 ações, menos de um terço, superaram a renda fixa.
Um erro comum em comparações desse tipo é olhar apenas para as ações que hoje fazem parte do Ibovespa e medir o retorno delas nos últimos cinco anos, ignorando quem saiu do índice no meio do caminho. Esse recorte tende a favorecer o resultado final, porque empresas com desempenho muito ruim, a ponto de perder liquidez, sair do índice ou até deixar de ser negociadas, simplesmente não entram na conta. É o efeito conhecido como viés de sobrevivência.
Para evitar essa distorção, a Economatica partiu da composição teórica do Ibovespa em 30 de setembro de 2021, disponível na base de carteiras teóricas históricas da plataforma, e acompanhou o retorno total (ajustado por proventos) de cada uma das 87 empresas até 11 de setembro de 2026, ou até a última data em que o papel foi negociado, no caso das que saíram do índice ou deixaram de existir como companhia listada. Das 87 empresas, 56 continuam no Ibovespa hoje; 31 saíram ao longo do período, das quais 16 foram deslistadas.
Olhando para a carteira completa, o retorno mediano das 87 ações no período foi de -4,52%. Negativo, portanto, e abaixo tanto do CDI (80,53%) quanto do Ibovespa (61,20%). Praticamente metade das empresas que formavam o índice em 2021, 44 das 87, terminou os cinco anos com prejuízo nominal: valendo menos do que valia no início, sem sequer descontar a inflação do período.

Do lado de quem superou a renda fixa, 24 ações bateram o CDI. É um grupo relevante, mas fica abaixo de um terço da carteira original, que precisaria de 29 ações para chegar lá. Na comparação com o índice, o número sobe para 35 papéis, ainda minoria entre as 87.
A diferença de desempenho entre as empresas que continuam no Ibovespa hoje e as que saíram ao longo do caminho é grande. Das 56 que permanecem no índice, 19 bateram o CDI e a mediana de retorno do grupo é de +47,6%. Das 31 que saíram, apenas 5 bateram o CDI e a mediana de retorno é de -52,7%, puxada para baixo pelas empresas deslistadas.

Esse padrão é, em boa parte, esperado. A metodologia do Ibovespa revisa a carteira a cada quatro meses e tende a remover papéis que perderam liquidez, o que costuma andar junto com uma queda de preço relevante. Uma parcela do desempenho ruim das ações que saíram é, portanto, também a razão pela qual elas deixaram de fazer parte do índice.
Entre as 87 empresas do estudo, o melhor retorno do período foi o de Petrobras, +579,9%. No outro extremo, Azul praticamente zerou de valor, -99,97%, refletindo o processo de recuperação judicial da companhia e a diluição acionária que se seguiu. O gráfico abaixo reúne as dez melhores e as dez piores ações da carteira de 2021: repare que boa parte dos piores retornos é justamente de empresas que deixaram o índice pelo caminho, marcadas com um asterisco, o tipo de resultado que uma análise limitada aos papéis que hoje compõem o Ibovespa simplesmente não veria.

O padrão setorial dos extremos também é informativo: no topo aparecem principalmente papéis ligados a commodities e utilidade pública; na base, concentram-se companhias aéreas, varejistas e empresas que passaram por reestruturação financeira no período.

A distribuição completa mostra a extensão da dispersão: 44 ações perderam dinheiro, 6 ficaram entre 0% e 30%, 8 entre 30% e 60%, 8 entre 60% e 80% (a faixa que margeia o CDI), 7 entre 80% e 150%, 10 entre 150% e 300%, e 4 subiram mais de 300%. Ou seja: o grupo que mais superou a renda fixa por larga margem (acima de 150%) tem 14 empresas, quase do mesmo tamanho do grupo que ficou perto do zero a zero com o CDI (60% a 150%, 15 empresas). A cauda negativa, no entanto, segue sendo a maior faixa isolada.
Bens industriais, Consumo cíclico, Saúde e Materiais básicos concentram a maior parte das ações com retorno negativo do estudo, refletindo também a maior presença de empresas que saíram do índice nesses grupos, caso de companhias aéreas, varejistas e operadoras de saúde. Utilidade pública e Financeiro têm a maior proporção de papéis que bateram o CDI no período.
A primeira é sobre a janela de comparação: cada ação que deixou de ser negociada foi comparada ao CDI e ao Ibovespa acumulados só até a sua última data de negociação, não até setembro de 2026. É o critério metodologicamente correto, mas significa que a mediana das que saíram (-52,7%) usa uma régua mais curta do que a das que ficaram.
A segunda é sobre o tipo de retorno: os números são nominais e não descontam Imposto de Renda sobre ganho de capital. O CDI de referência também é bruto, sem o efeito do IR regressivo que incide normalmente sobre esse tipo de aplicação.
O Ibovespa perdeu do CDI nos últimos cinco anos, mas essa não é a história completa: olhar só para o índice esconde que a maioria das ações que o compunham em 2021 teve um desempenho ainda pior do que essa média sugere, e que uma minoria, pouco menos de um terço, conseguiu superar a renda fixa mesmo com o índice perdendo dela. Comparar renda variável e renda fixa pela média do índice é diferente de comparar pela ação.
Este material tem caráter exclusivamente informativo. As análises são simulações quantitativas baseadas em dados históricos e não constituem recomendação de investimento, nos termos da Resolução CVM nº 20/2021.

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